Adaptado de DW Brasil
Durante o 4° Encontro em Defesa da Democracia, realizado no último sábado (18/04), na Espanha, os presidentes do Brasil, Espanha e México emitiram uma declaração conjunta expressando "enorme preocupação" com a grave crise humanitária em Cuba e reiterando a necessidade de respeitar a "integridade territorial" da ilha.
Tendo em vista "a evolução da situação" em Cuba, os três governos alertam para a "situação dramática" enfrentada pelo povo cubano e instam a que sejam tomadas as medidas necessárias para aliviar essa situação e evitar ações "que agravem as condições de vida da população ou sejam contrárias ao direito internacional".
Os três países defendem uma resposta coordenada para aliviar o sofrimento da população cubana. "Estamos empenhados em aumentar nossa resposta humanitária de forma coordenada, visando aliviar o sofrimento do povo cubano", diz o comunicado.
Reiteram também a necessidade de "respeitar sempre o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da resolução pacífica de litígios, consagrados na Carta das Nações Unidas".
Encontro em Barcelona
O 4° Encontro em Defesa da Democracia, onde foi emitida a declaração, foi um encontro institucional que contou com a presença de lideranças mundiais da esquerda, como o presidente Lula, , a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, entre outros líderes mundiais, tendo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como anfitrião.
O Encontro visa se contrapor ao fórum de articulação da extrema-direita global, o Conservative Political Action Conference (CPAC), realizado anualmente, que reúne figuras como Donald Trump, Viktor Orbán e a família Bolsonaro.
Em Barcelona, os governos da Espanha, do Brasil e do México reafirmam seu compromisso "inabalável" com os "direitos humanos, os valores democráticos e o multilateralismo" e apelaram por um "diálogo sincero e respeitoso" com os EUA.
Com esse desejo, eles apelam para "um diálogo sincero e respeitoso, em conformidade com o direito internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas", com o objetivo de encontrar "uma solução duradoura para a situação atual e garantir que o próprio povo cubano decida seu futuro em total liberdade", conclui o comunicado.
"Cuba não quer guerra"
No mesmo dia, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou que a ilha não "aspira à guerra", mas "tem a responsabilidade de se defender" contra uma hipotética intervenção militar dos EUA.
Cuba anunciou em 13 de março que havia iniciado um "diálogo" com os EUA, mas indicou que este se encontrava em "fases iniciais" e "longe" de qualquer acordo.
Na última semana, a mídia estadunidense revelou que o Pentágono está intensificando seus planos para uma possível intervenção militar em Cuba, mas o Departamento de Defesa dos EUA pediu que não se especulasse sobre "cenários hipotéticos".