Nota da Redação
Imagem: Reprodução BBC
As eleições presidenciais acontecem num cenário de polarização e disputa de projetos antagônicos.
A conjuntura política da Colômbia vive um momento decisivo com a realização do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 31 de maio de 2026. Trata-se de um processo eleitoral que expressa uma forte polarização política e social, marcada por disputas entre projetos distintos de país.
A eleição presidencial na Colômbia ocorre em um contexto de forte disputa de projetos políticos e sociais. A liderança da esquerda nas pesquisas indica a possibilidade de continuidade do ciclo iniciado em 2022, enquanto a fragmentação da direita abre espaço para um segundo turno decisivo.
Trata-se de um processo com impacto não apenas nacional, mas para toda a América Latina, refletindo os rumos das fortes disputas entre a ofensiva imperialista de Trump e a luta por manter e ampliar governos que resistam ao projeto trumpista de extrema direita.
- Principais candidaturas:
A disputa presidencial tem como principais protagonistas três candidaturas com posições ideológicas bem definidas:
. Iván Cepeda
- Partido / coalizão: Pacto Histórico.
- Posição política: esquerda.
- Quem é: Senador, defensor de direitos humanos e ligado ao processo de paz.
- Perfil político: continuidade e aprofundamento do projeto de mudanças sociais, iniciado pelo governo de Gustavo Petro, com foco em redução da desigualdade, reformas sociais e políticas de paz.
- Situação nas pesquisas: lidera com folga. Levantamentos recentes indicam entre 38% e 44% das intenções de voto, com ampla vantagem sobre os adversários
. Abelardo de la Espriella:
- Partido: Salvación Nacional.
- Posição política: Extrema direita.
- Quem é: advogado e empresário, figura outsider na política tradicional.
- Perfil político: discurso ultra conservador e de endurecimento na política de segurança pública, dura crítica ao governo Petro e oposição às negociações que buscam a paz com grupos armados.
- Situação nas pesquisas: segundo lugar. Aparece com cerca de 21% a 25% das intenções de voto
. Paloma Valencia:
- Partido: Centro Democrático.
- Posição política: direita e extrema-direita (uribismo / conservadora).
- Quem é: senadora e principal nome do campo ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe, conservador e de direita (uribismo).
- Perfil político: conservador, defesa de políticas de segurança mais duras e oposição ao governo atual.
- Situação nas pesquisas: disputa o segundo lugar. Oscila entre 19% e 23% das intenções de voto, em empate técnico com Espriella.
Outros nomes:
Além dos três principais, existem candidaturas de centro e centro-esquerda, como:
- Sergio Fajardo (centro)
- Claudia López (centro-esquerda)
Contudo, esses nomes aparecem com baixo desempenho nas pesquisas, geralmente abaixo de 5%
Características gerais do cenário eleitoral
- A eleição se configura como um referendo sobre o governo Petro. Portanto, há uma forte polarização entre esquerda e direita;
- O campo conservador está fragmentado, o que favorece a liderança da esquerda nas pesquisas de intenção de votos;
- O mais provável é que haja segundo turno, já que nenhum candidato deve ultrapassar 50% no primeiro.
Conclusão
De um lado, ganha força a candidatura de Iván Cepeda, representante do campo popular e progressista, com trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos, da memória histórica e da justiça social. Cepeda aparece à frente nas pesquisas de opinião, consolidando-se como principal nome na disputa.
Por outro lado, o campo da direita e da extrema direita se apresenta fragmentado, mas perigoso. Destacam-se: Espriella, ligado a setores autoritários, com discurso de endurecimento repressivo e oposição às políticas de paz; Paloma, expressão do uribismo e da agenda conservadora.
As candidaturas de Espriella e Paloma representam a tentativa de restaurar um projeto neoliberal, excludente e marcado historicamente pela violência política e pela criminalização dos movimentos sociais. São aliadas de Trump na América Latina.
Eleger Cepeda representa a única saída para derrotar Trump e a extrema direita e à direita colombiana, mantendo um caminho independente da Colômbia, seguindo e aprofundando o projeto de mudanças defendido pelo atual governo.