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Irã acusa EUA de planejarem ataques terrestres: 'retaliação será severa’

1 de abril de 2026

Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, denuncia Washington de agir com duplicidade ao ofertar negociações enquanto prepara ofensiva.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou neste domingo (29/03) que qualquer tentativa dos Estados Unidos de lançar uma ofensiva terrestre contra o Irã provocará uma “punição severa” contra forças norte-americanas e israelenses. Ele acusou Washington de agir com duplicidade ao “enviar publicamente sinais de negociação enquanto, em segredo, planeja uma invasão terrestre”.

A declaração ocorre no 30º dia da guerra iniciada após a ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o território iraniano, em 28 de fevereiro. Em mensagem oficial, Qalibaf afirmou que o Irã está preparado para o cenário de ataque terrestre e responderá de forma decisiva. O parlamentar também rejeitou qualquer proposta que implique rendição, afirmando que Teerã seguirá no conflito “até alcançar a vitória”.

Qalibaf afirmou que os Estados Unidos e seus aliados enfrentam dificuldades crescentes, incluindo reveses militares e pressão econômica, sem terem alcançado seus objetivos iniciais. E que grupos de resistência no Oriente Médio ampliaram a pressão sobre forças adversárias, alterando o equilíbrio no campo de batalha.

3.500 fuzileiros chegam à região

Segundo reportagem do Washington Post, autoridades norte-americanas discutem incursões de forças especiais em território iraniano. Na sexta-feira (27/03), no entanto, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou essa possibilidade, afirmando que os objetivos militares podem ser alcançados sem o envio de tropas.

A escalada, no entanto, reflete-se na própria movimentação naval norte-americana. Um grupo com cerca de 3.500 fuzileiros navais chegou à área de operações do Comando Central dos Estados Unidos.

Em resposta, o comandante da Marinha iraniana, Shahram Irani, declarou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln será alvo de ataque caso entre no alcance das forças iranianas. “Assim que estiver ao alcance, vingaremos o sangue dos mártires do navio Dena”, afirmou à televisão estatal, referindo-se à fragata iraniana afundada pelos EUA no início do conflito.

Enquanto isso, representantes da Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem neste domingo (29) e na segunda-feira (30), em Islamabad, para discutir caminhos para uma possível desescalada da guerra na região.