Via Carta Capital
Eles ficarão sob custódia ao menos até o próximo domingo, segundo organização de direitos humanos.
Um tribunal israelense prolongou até domingo 10 a detenção de dois ativistas da flotilha para Gaza, o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, presos na semana passada perto da costa da Grécia.
A prorrogação foi informada à agência de notícias AFP pela organização de direitos humanos Adalah, e confirmada a CartaCapital pela esposa de Ávila, Lara Souza, na manhã desta terça-feira 5. As advogadas do ativista brasileiro vão recorrer da decisão.
“Não foram formalizadas queixas e ele continua preso para interrogatórios por acusações que foram apresentadas apenas como suspeitas, sem provas ou evidências. O juiz considerou ‘informações sigilosas’ para determinar que ele deve continuar passando por interrogatórios e nem ele nem sua advogada tiveram acesso ao que são essas informações. Claramente uma violação de direito de defesa”, disse Lara.
Ávila e Keshek compareceram nesta terça-feira pela segunda vez a um tribunal em Ashkelon, a 60 km de Tel Aviv. Os dois foram levados a Israel depois que foram capturados a bordo da flotilha Global Sumud, que pretendia romper o bloqueio naval israelense da Faixa de Gaza. O governo de Benjamin Netanyahu acusa os dois ativistas de vínculos com o movimento palestino Hamas, o que ambos negam.
A ONG Adalah, que conseguiu visitá-los, denunciou os “maus-tratos” que eles supostamente sofreram na prisão, acusações rejeitadas pelas autoridades israelenses.
No domingo, os tribunais israelenses já haviam validado uma primeira prorrogação de dois dias da prisão preventiva. A Espanha e o Brasil exigiram a libertação de Keshek e Ávila.
O governo espanhol expressou indignação com as prisões e classificou a medida como “ilegal” e “inaceitável”. Além disso, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que Israel não apresentou “nenhuma prova” dos vínculos com o Hamas, que governa Gaza.
A flotilha era inicialmente composta por cerca de 50 embarcações e, segundo seus organizadores, tinha como objetivo romper o bloqueio israelense ao território palestino devastado pela guerra, onde o acesso à ajuda humanitária permanece severamente restrito.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que os dois ativistas têm vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), uma organização sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Washington acusa PCPA de “agir clandestinamente em nome do” grupo islamista palestino Hamas.