Via Esquerda.net
Três militantes do Chega, um agente principal da PSP e um militar estão entre os detidos na “Operação Irmandade” da Unidade Contraterrorismo da PJ para desmantelar o grupo 1143.
Entre os 37 detidos pela Unidade Contraterrorismo da Polícia Judiciária na terça-feira há atuais e antigos militantes do Chega. Segundo o Jornal de Notícias, os três militantes que já foram candidatos do Chega às eleições são Rui Roque, que liderava o núcleo do Grupo 1143 em Faro e se tornou conhecido por defender num Congresso do Chega que se retirem os ovários às mulheres que interrompem a gravidez; João Peixoto Branco, ex-membro da concelhia do Chega em Guimarães e líder do núcleo vimaranense do 1143, alvo de queixas à PSP por agressões e intimidação contra imigrantes e antifascistas na cidade; e Rita Castro, da mesma freguesia que Peixoto - Selho de São Lourenço - e que foi a número 2 da lista do Chega à Câmara de Guimarães nas eleições de 2021. O semanário Expresso dá conta de que foram também detidos um agente principal da PSP de Setúbal e um militar da Marinha, todos pertencentes à milícia neonazi liderada por Mário Machado.
O neonazi com extenso cadastro por vários crimes continuava a liderar a organização a partir da cadeia de Alcoentre, dando instruções à cúpula do grupo, agora liderada no exterior por Gil Costa, conhecido por “Pantera” devido à ligação à claque do Boavista.
"Nós atuámos aqui de forma preventiva, porque não queremos voltar a ter nem gente que fique como inválida, nem gente que veja casas incendiadas, nem gente que seja morta", disse o diretor nacional da Polícia Judiciária na conferência de imprensa que se seguiu às buscas e detenções. Luís Neves sublinhou que o aumento dos crimes de ódio nos últimos anos tem aumentado bastante e acredita que a maioria ficou por reportar às autoridades por medo das vítimas. Este grupo congrega alguns dos alvos de anteriores operações policiais contra a violência neonazi em 2007 e 2016, tratando-se de “uma associação com fundadores, membros, chefias, apoio logístico, distribuição de funções no financiamento e nas ações, uma estrutura com conjunto alargado de pessoas que dura, com estabilidade no tempo e que se alarga”, prosseguiu Luís Neves.
De acordo com o Diário de Notícias, as escutas mostraram a vontade de transformar o Grupo 1143 numa milícia preparada para a “guerra racial”, tendo iniciado treinos com armas airsoft num terreno em Alcochete a que chamaram Bunker 1143. Para atiçar a violência, o próximo passo estava agendado para fevereiro, com o lançamento de uma campanha de provocação à comunidade muçulmana com cartazes, manifestações e materiais nas redes sociais a denegrir a imagem do Profeta Maomé.
Esta operação policial visou os líderes dos núcleos do Porto, Santo Tirso, Aveiro, Maia, Coimbra, Guimarães, Odivelas, Sintra, Cascais, Setúbal e Faro, mas a Judiciária identificou ao todo duas dezenas de núcleos em Portugal e filiais na Suíça e França. Segundo o Diário de Notícias, além de Mário Machado e Gil Costa, o autodenominado grupo dos “Quatro Mosqueteiros” que coordenavam o Grupo contava ainda com Paulo Magalhães e Bruno Araújo, que tinham a seu cargo a organização de eventos e a gestão das redes sociais.
A polícia está também atenta ao financiamento do grupo, que vende artigos de merchandising da extrema-direita e recolhe donativos para se financiar. A mãe do líder do grupo, Aurelina Machado, foi também alvo de buscas por angariar financiamentos e transmitir a Gil Costa as instruções para o grupo que recebia durante as visitas ao filho em Alcoentre.e.