POR LI ANDERSON
Via Esquerda.net
O bloco “vermelho-verde” tem uma curta vantagem após a eleição que ditou uma derrota para a extrema-direita, o recuo dos social-democratas e o melhor resultado das últimas décadas para o Partido da Esquerda.
Nota da edição: Com cerca de 95% dos votos contados, os Social-Democratas obtêm 28,1% dos votos e 100 mandatos, (menos 7 do que em 2022), os Moderados 19,9% e 70 mandatos (+2), os Democratas Suecos (extrema-direita) 17,5% e 62 mandatos (-11), a Esquerda 8,2% e 29 mandatos (+5), o Centro 7,1% e 25 mandatos (+1), os Democratas Cristãos 6,2% e 22 mandatos (+3), os Verdes 6,1% e 22 mandatos (+4) e os Liberais 5,4% e 19 mandatos (+3). Os dois blocos em disputa para formar maioria são compostos à esquerda por Social-democratas, Esquerda, Verdes e Centro, e à direita pelos Moderados, Democratas Suecos, Liberais e Democratas Cristãos. O primeiro bloco leva uma vantagem de três mandatos.
As eleições parlamentares suecas estão encerradas e o resultado foi, como esperado, emocionante e renhido. Esta manhã, após as eleições, o bloco vermelho-verde lidera por 176 contra 173, com uma vantagem de apenas alguns lugares. Os resultados finais das eleições só estarão disponíveis na quarta-feira, quando forem contados os votos por correspondência restantes. O resultado ainda pode, portanto, sofrer alterações, embora, por exemplo, a Radiotelevisão Pública Sueca considere mais provável uma maioria vermelho-verde.
Alguns destaques dos resultados:
1. O Partido da Esquerda é o grande vencedor das eleições
O resultado eleitoral do Vänsterpartiet (8,2%) é o melhor em mais de duas décadas, tendo registado o maior aumento de apoio. Trata-se de uma conquista notável e é certamente, em parte, o resultado dos enormes esforços do partido para se envolver com os eleitores ao nível das bases. Os ativistas bateram a mais de meio milhão de portas durante a campanha — muitas delas em áreas com baixa afluência às urnas. Isto é também vital para a democracia.
2. O fraco resultado dos social-democratas compromete a maioria vermelho-verde
O principal objetivo dos Social-Democratas era, naturalmente, assegurar uma mudança na liderança e reconquistar o cargo de primeiro-ministro. É de salientar, no entanto, que numa situação em que todos os outros partidos da oposição aumentaram o seu apoio, o resultado eleitoral dos Social-Democratas suecos foi o pior desde 1908. Para mim, este é mais um sinal de que uma abordagem cautelosa e inclinada para a direita não conquista apoio. Isto é evidente também noutros locais da Europa e dos países nórdicos.
3. Os Democratas da Suécia, de extrema-direita, perderam
Os Democratas da Suécia sofreram a sua primeira derrota de sempre nas eleições europeias de 2024 e, agora, chegou a vez da derrota nas eleições parlamentares. A razão pode residir, por um lado, no voto tático e, por outro, na desilusão com as suas políticas. Seja como for, este é mais um sinal de que a marcha vitoriosa destes partidos de extrema-direita nos países nórdicos chegou ao fim. As pessoas tomaram consciência das suas políticas desumanas e querem uma mudança.
4. Formar um governo será difícil
Se a maioria vermelho-verde se mantiver, a futura primeira-ministra, Magdalena Andersson, precisará do apoio de todos os votos do bloco. O Partido da Esquerda já declarou que, se os seus votos forem necessários para garantir a maioria, devem ser tratados da mesma forma que todos os outros — devem ser admitidos no governo. Isto é inaceitável para o Partido do Centro, que também se recusa a cooperar com os Democratas da Suécia, à direita. Alguém terá de ceder, e não será fácil.
Li Anderson é eurodeputada da Aliança de Esquerda finlandesa e acompanhou a campanha eleitoral do Partido da Esquerda nestas eleições suecas.