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Congresso do Die Linke reconhece genocídio em Gaza e pede sanções a Israel

26 de junho de 2026

Adaptado de Esquerda.net

O congresso do Die Linke aprovou por larga maioria uma moção que marca uma mudança histórica na posição oficial do partido. De forma inequívoca, classifica como genocídio a ação de Israel em Gaza e pede o fim da cumplicidade alemã e europeia com Israel.

No último fim de semana ocorreu em Potsdam o Congresso do Die Linke (A Esquerda). Além de eleger a atual copresidente Ines Schwerdtner e o vice-líder da bancada parlamentar Luigi Pantisano para a liderança do partido e de aprovar um programa e aprovar uma resolução política com propostas alternativas ao atual rumo do governo CDU/SPD, este Congresso aprovou a meta de chegar aos 200 mil filiados em 2029, num contexto de crescimento da adesão ao partido nos últimos anos, em especial entre a juventude alemã.

Mas o sinal político mais importante foi o da aprovação da moção sobre o Médio Oriente que reconhece a existência de um genocídio em Gaza e defende sanções a Israel. Uma posição inédita na história do Die Linke, cuja posição crítica do governo de Netanyahu tem sido apelidada pelos adversários de antissemitismo, mas também difícil no contexto da política alemã, onde prevalece a chamada "Staatsräson" aplicada na relação entre os Estados da Alemanha e Israel e que na prática significa que os governos alemães têm que apoiar Israel incondicionalmente, independentemente da atuação política que perpetram os governos israelenses.

Antes do debate e votação da moção sobre o Médio Oriente, falaram ao congresso como convidadas Vered Berman e Aida Touma-Soleiman. Vereb Berman, realizadora israelense e representante de um coletivo de combate ao anti-semitismo, apresentou-se como neta de sobrevivente do holocausto e com mãe morta em ataque palestino, para depois condenar o regime de apartheid e o genocídio em Gaza. Aplaudida de pé, acabou o discurso com “nunca mais” é “nunca mais para todas as pessoas”.

A ex-deputada do Knesset, Aida Touma-Soleiman, do partido comunista de Israel, fez depois uma análise da estrutura do Estado de Israel e da fascização da sociedade. Defendeu as sanções e boicotes a Israel como fundamentais no combate internacional ao fascismo e atirou: não deixemos as discussões teóricas sobre o anti-semitismo nos paralisem; é preciso parar o apoio da Alemanha ao governo genocida. Um discurso com um longo aplauso da sala.

A mudança é transversal no partido e nos delegados dos diversos Estados e sensibilidades. A minoria que votou contra a moção não contestava a caracterização da situação em Gaza ou as sanções a Israel. Divergiram essencialmente sobre a defesa da solução de dois Estados e afirmação do direito de Israel a existir. Venceu a proposta da direção, que expressava o consenso interno encontrado nas longas negociações dos meses que antecederam o congresso.