Via Opera Mundi
Segundo Wall Street Journal, presidente dos EUA foi alertado em maio sobre citações nos arquivos sobre a rede de prostituição e pedofilia.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi mencionado múltiplas vezes nos casos relacionados a Jeffrey Epstein, que mantinha uma rede de prostituição e pedofilia nos EUA, voltadas para lideranças políticas e empresariais. A informação é do Wall Street Journal (WSJ).
A apuração do jornal norte-americano revela que, ao revisar uma grande quantidade de documentos – descrita pela procuradora-geral Pam Bondi como uma “carga de caminhão” de papéis –, o Departamento de Justiça encontrou múltiplas menções a Trump.
De acordo com a reportagem, o presidente dos EUA foi informado em maio passado pelo Departamento de Justiça que seu nome aparece diversas vezes nos arquivos relacionados a Epstein, réu por tráfico sexual de menores.
Ele também foi avisado de que outras figuras de alto escalão da política, dos negócios e do entretenimento constam nos registros. O fato de o nome estar presente nos arquivos, porém, não indica, por si só, envolvimento em atividades ilegais. Como ressalta a reportagem, a simples menção nos documentos não representa evidência de conduta criminosa.
Citando autoridades do governo, a reportagem do WSJ revelou que a informação foi repassada a Trump durante uma reunião na Casa Branca, pela procuradora-geral Bondi e seu vice, Todd Blanche.
A relação de Trump com Epstein vem sendo um dos pilares do debate desde que o WSJ revelou em 17 de junho a existência de uma carta obscena supostamente escrita por Trump ao bilionário. A correspondência integra um álbum com outras mensagens escritas por diversos amigos para homenagear Epstein durante seu aniversário de 50 anos, em 2003.
A carta, nunca apresentada até então, traz várias linhas de texto datilografado emolduradas pela silhueta de uma mulher nua, aparentemente desenhada à mão com uma caneta. Um par de pequenos arcos indica os seios femininos, enquanto a assinatura traz um “Donald” abaixo da cintura, fazendo referência aos pelos pubianos.
No texto, há um diálogo imaginário entre Trump e Epstein, onde o remetente reforça “como é maravilhoso ter um amigo verdadeiro”. Na última linha, lê-se: “Feliz aniversário, e que cada dia seja mais um segredo extraordinário”.
O chefe de Estado nega a veracidade do material. “Não fui eu. É falsa [a carta]. A matéria do Wall Street Journal [também] é falsa”, declarou o presidente, acrescentando que “nunca pintou um quadro em sua vida”.
Os arquivos citados pelo WSJ fazem parte de uma série de documentos apreendidos ou produzidos durante as investigações federais que se seguiram à prisão e morte de Epstein, ambas ocorridas em 2019.
Muitas dessas evidências estavam sob sigilo judicial, mas partes significativas começaram a vir a público recentemente, reacendendo o debate sobre os cúmplices e a rede de proteção que teria garantido impunidade ao bilionário por tantos anos.
Jeffrey Epstein foi um financista bilionário e figura influente no alto escalão social dos Estados Unidos, com conexões que iam de Wall Street à realeza britânica. Em 2008, ele foi condenado na Flórida por solicitação de prostituição envolvendo uma menor de idade, em um acordo judicial polêmico que o livrou de acusações mais severas. Já em 2019, foi novamente preso, desta vez por liderar um amplo esquema de tráfico sexual de meninas e adolescentes, muitas delas aliciadas por meio de promessas de dinheiro ou oportunidades de trabalho.
(*) Com Ansa e Brasil247