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Sob bloqueio de combustível dos EUA, Cuba tem ‘apagão total’ do sistema de energia

17 de março de 2026

Mais de dez milhões de cubanos foram afetados por queda do serviço; governo informou que causas estão sendo investigadas.

O Ministério de Energia e Minas em Cuba informou nesta segunda-feira (16/03) um novo apagão elétrico que atingiu todo o país, afetando mais de dez milhões de pessoas. Comunicou, em um primeiro momento, que as causas que levaram a uma “interrupção total do Sistema Elétrico Nacional (SEN)” estavam sendo investigadas.

Nas últimas semanas, a população cubana também ficou sem energia elétrica após uma falha que provocou o desligamento de grande parte do sistema elétrico nacional. Segundo a empresa estatal Unión Eléctrica (UNE), o apagão afetou cerca de dois terços do país.

Os episódios de apagão foram agravados nas últimas semanas. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ilha, sem provas, como sendo uma “ameaça incomum e extraordinária” ao seu país, o que eventualmente prejudicaria a segurança nacional. A partir disso, determinou tarifas adicionais para nações que fornecessem petróleo para Cuba, agravando a sua situação humanitária.

Embora o apagão não esteja diretamente relacionado ao bloqueio petrolífero, a falta de combustível dificulta a recuperação da rede. De acordo com o canal RTVE, 40% da energia produzida em Cuba vem de usinas termelétricas, que funcionam à base do petróleo nacional. Já o restante provém de energia solar e hidrelétrica, ou de geradores que funcionam a diesel ou óleo combustível. No entanto, nesta mesma segunda-feira, nove das 16 usinas termelétricas estavam inativas.

O governo do presidente Miguel Díaz-Canel acusa os Estados Unidos de “asfixia energética”. No contexto da crise, no entanto, na semana passada, o mandatário da ilha confirmou que Havana está começando a negociar com Washington uma solução negociada, por meio do diálogo, na tentativa de resolver as divergências entre os países.

No domingo (15), Trump afirmou à imprensa que voltará a atenção a Cuba após “resolver” a guerra iniciada por ele juntamente com Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O mandatário também ressaltou que Havana quer um acordo com sua nação em meio à tensão diplomática entre as partes.

“Acredito que, muito em breve, chegaremos a um acordo [com Cuba] ou faremos o que for preciso”, declarou Trump à imprensa, sem especificar o que “é preciso”.

“Cuba também vai cair. Cortamos todo o petróleo, todo o dinheiro, tudo o que vinha da Venezuela, que era a única fonte. E eles querem fazer um acordo”, disse o republicano, no início do mês.

Na ocasião, questionado se os Estados Unidos estavam desempenhando algum papel na tentativa de possivelmente intervir no governo cubano, tal qual fez ao invadir ilegalmente a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, Trump mencionou que “isso é a cereja do bolo” e falou que Delcy Rodríguez, presidente interina de Caracas, “está fazendo um trabalho fantástico”.

* Com Ansa