Via Brasil de Fato
Mais de dez milhões de cubanos foram afetados por queda do serviço; governo informou que causas estão sendo investigadas.
O Ministério de Energia e Minas em Cuba informou nesta segunda-feira (16/03) um novo apagão elétrico que atingiu todo o país, afetando mais de dez milhões de pessoas. Comunicou, em um primeiro momento, que as causas que levaram a uma “interrupção total do Sistema Elétrico Nacional (SEN)” estavam sendo investigadas.
Nas últimas semanas, a população cubana também ficou sem energia elétrica após uma falha que provocou o desligamento de grande parte do sistema elétrico nacional. Segundo a empresa estatal Unión Eléctrica (UNE), o apagão afetou cerca de dois terços do país.
Os episódios de apagão foram agravados nas últimas semanas. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ilha, sem provas, como sendo uma “ameaça incomum e extraordinária” ao seu país, o que eventualmente prejudicaria a segurança nacional. A partir disso, determinou tarifas adicionais para nações que fornecessem petróleo para Cuba, agravando a sua situação humanitária.
Embora o apagão não esteja diretamente relacionado ao bloqueio petrolífero, a falta de combustível dificulta a recuperação da rede. De acordo com o canal RTVE, 40% da energia produzida em Cuba vem de usinas termelétricas, que funcionam à base do petróleo nacional. Já o restante provém de energia solar e hidrelétrica, ou de geradores que funcionam a diesel ou óleo combustível. No entanto, nesta mesma segunda-feira, nove das 16 usinas termelétricas estavam inativas.
O governo do presidente Miguel Díaz-Canel acusa os Estados Unidos de “asfixia energética”. No contexto da crise, no entanto, na semana passada, o mandatário da ilha confirmou que Havana está começando a negociar com Washington uma solução negociada, por meio do diálogo, na tentativa de resolver as divergências entre os países.
No domingo (15), Trump afirmou à imprensa que voltará a atenção a Cuba após “resolver” a guerra iniciada por ele juntamente com Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O mandatário também ressaltou que Havana quer um acordo com sua nação em meio à tensão diplomática entre as partes.
“Acredito que, muito em breve, chegaremos a um acordo [com Cuba] ou faremos o que for preciso”, declarou Trump à imprensa, sem especificar o que “é preciso”.
“Cuba também vai cair. Cortamos todo o petróleo, todo o dinheiro, tudo o que vinha da Venezuela, que era a única fonte. E eles querem fazer um acordo”, disse o republicano, no início do mês.
Na ocasião, questionado se os Estados Unidos estavam desempenhando algum papel na tentativa de possivelmente intervir no governo cubano, tal qual fez ao invadir ilegalmente a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, Trump mencionou que “isso é a cereja do bolo” e falou que Delcy Rodríguez, presidente interina de Caracas, “está fazendo um trabalho fantástico”.
* Com Ansa
