Nota da Redação
A lista do partido de esquerda é encabeçada por Elif Eralp, uma filha de imigrantes turcos.
Segundo resultados ainda parciais, o Die Linke caminha para obter o primeiro lugar nas eleições regionais de Berlim, Capital da Alemanha, com cerca de 25% dos votos.
A principal candidata do Die Linke nestas eleições é Elif Eralp, de 45 anos. Ela tem uma trajetória bastante singular na política alemã: é filha de refugiados políticos turcos e pode se tornar a primeira mulher de origem migrante a governar um estado alemão.
Quem é Elif Eralp?
Eralp nasceu em 1981, em Munique, pouco depois de seus pais chegarem à Alemanha como asilados políticos. Eles haviam deixado a Turquia após o golpe militar de 1980. A família passou por Dortmund e Hamburgo antes dela se estabelecer em Berlim.
Ela estudou Direito, com especialização em criminologia, e trabalhou durante anos com direito migratório e direitos humanos. Também atuou como assessora jurídica da bancada federal da Die Linke e participou de movimentos antirracistas, de defesa de migrantes e de moradia acessível.
Desde o ano de 2021 é deputada no Parlamento de Berlim e, em 2024, tornou-se vice-líder da bancada da Die Linke.
O centro da campanha: a crise da moradia
A principal bandeira de Eralp é reduzir o custo de vida e enfrentar os altos aluguéis de Berlim. Ela defende, entre outras medidas:
- Controle dos aluguéis nas habitações públicas e ampliação da construção de moradias municipais;
- Medidas contra aumentos abusivos e políticas voltadas à população mais pobre.
- Implementação do resultado do referendo de 2021, com a possível nacionalização de grandes empresas imobiliárias;
A crise habitacional é particularmente importante porque os aluguéis de Berlim aumentaram fortemente nos últimos anos. Até por isso, o Die Linke colocou a questão da moradia no centro de sua campanha.
A comparação com Zohran Mamdani
Um aspecto interessante é que a campanha de Eralp tem sido comparada internacionalmente à de Zohran Mamdani, do DSA, atual prefeito de Nova York. A Die Linke estudou a campanha de Mamdani e incorporou algumas de suas iniciativas e bandeiras, especialmente campanha porta a porta, forte presença nas redes sociais e foco no custo de vida. Eralp chegou a se reunir com um assessor de Mamdani.
A comparação também tem uma dimensão simbólica: Mamdani é filho de imigrantes e Eralp é filha de refugiados políticos turcos. Ambos colocam habitação e custo de vida no centro do discurso.
É possível uma mudança histórica, mas nada está garantido
Se Eralp chegar ao cargo de chefe do governo de Berlim haverá um significado simbólico importante: ela seria a primeira governante de Berlim de origem imigrante e também a primeira mulher de origem imigrante a liderar um estado federado alemão.
E tudo isso acontece num contexto de forte crescimento eleitoral da AfD, partido de extrema direita e anti-imigração.
A Afd já tinha conquistado a dias atrás o primeiro lugar nas eleições da região de Saxônia-Anhalt, e deve conseguir o mesmo feito, neste domingo, em outra região: Mecklenburg Vorpommern.
A candidatura de Eralp coloca no centro a disputa contra uma concepção da extrema direita sobre política migratória e social. Embora os resultados parciais colocam Die Linke na liderança, com cerca de 25% dos votos, a formação de um governo de esquerda em Berlim não está garantida.
Para formar governo o Die Linke vai precisar de formar maioria, o que só será possível com a construção de alianças, especialmente com os Verdes e o SPD, o que ainda não é garantido de antemão.
