Por Luiz Carlos Azenha
Via Revista Forum
A longa sombra do Vietnã!
Em 31 de março de 1968, o presidente dos Estados Unidos, Lyndon B. Johnson, fez um anúncio extraordinário: não concorreria à reeleição pelo Partido Democrata, receoso de perder a indicação para Robert F. Kennedy Jr., irmão do presidente assassinado.
Aquele foi um ano terrível para as forças que promoviam a guerra do Vietnã. Em janeiro, a ofensiva do Tet demonstrou o alto grau de penetração dos comunistas e vietcongs no então Vietnã do Sul, com ataques coordenados contra centros urbanos, inclusive a embaixada dos EUA em Saigon.
Em abril, Martin Luther King Jr. foi assassinado no Tennessee. Em junho, foi a vez de Robert F. Kennedy Jr. Eram as duas vozes mais importantes contra a guerra. Eventualmente, o republicano Richard Nixon seria eleito presidente para suceder Johnson.
Vice de John Kennedy, que herdou o poder em 1963, quando o presidente foi assassinado, Johnson chegou a ter 79% de aprovação em 1964, mas apenas 35% em 1968.
A guerra do Vietnã, por causa das mentiras oficiais, enterrou Johnson.
Trump em viés de baixa
Hoje, nas pesquisas que o New York Times considera confiáveis, avaliando os métodos e o número de entrevistados, Donald Trump tem entre 31% de aprovação (American Research Group) e 34% (Universidade de Quinnipiac).
Presidentes com menos de 40% de aprovação sofreram derrotas históricas no meio de mandato.
Um caso clássico é o de George W. Bush, que promoveu a invasão do Iraque com argumentos falsos. Os republicanos perderam 30 cadeiras na Câmara e seis no Senado em 2006, o que ajudou a catapultar o desconhecido senador Barack Obama à Casa Branca em 2008.
No Congresso, deputados e senadores republicanos estão pela primeira vez se rebelando contra Trump. A liderança republicana retirou uma proposta que daria ao presidente plenos poderes para a guerra, com medo de não ter os votos necessários para aprová-la.
Depois de processar a Receita Federal dos EUA, Trump obteve um acordo pelo qual poderá controlar um fundo de U$ 1,8 bilhão para destinar a aliados, inclusive aqueles que promoveram a tentativa de golpe contra o Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Ao processar seu próprio governo, Trump conseguiu um acordo pelo qual a Receita não poderá investigar sua família no futuro.
Isso caiu mal, inclusive com aliados do MAGA. O IRS, afinal, não poupa os estadunidenses ‘comuns’.
Acordo em breve
Trump disse que até este domingo, 24 de maio, vai decidir se retoma ou não a guerra contra o Irã.
Líderes regionais trabalham contra a retomada dos bombardeios, uma vez que Teerã promete obliterar as economias regionais se voltar a ser atacada.
Os iranianos se comportam a partir de uma posição de força: estão certos de que podem inflingir danos à economia global superiores aos que sofreriam no campo de batalha.
O Irã tem dito que assumiu o controle do estreito de Ormuz e que pretende cobrar pedágios dos países produtores de petróleo e gás em parceria com Omã.
A Arábia Saudita, que reatou relações diplomáticas com o Irã a partir de mediação da China, tenta um acordo que preserve os países do Golfo.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse neste sábado, 23, que um acordo de 14 pontos com os Estados Unidos está próximo de ser finalizado:
Estamos agora na fase final deste memorando de entendimento. Os tópicos em discussão nesta fase focam-se, de forma geral, no fim da guerra, na suspensão da agressão naval dos EUA – que eles próprios denominaram ‘bloqueio naval’ – e em questões relacionadas com a liberação dos ativos iranianos bloqueados.
