EUA realizam exercícios militares em Caracas; venezuelanos repudiam

Por Rocio Paik

Imagem: Reprodução Brasil de Fato

Aeronaves Bell Boeing V-22 Ospreys sobrevoaram capital e pousaram nas instalações da sede diplomática norte-americana; atividade faz parte do 'plano de três fases' de Trump, segundo embaixada.

O Exército dos Estados Unidos realizou neste sábado (23/05) um exercício de evacuação envolvendo fuzileiros navais e aeronaves militares na capital da Venezuela, conforme anunciou a embaixada norte-americana em Caracas. O treinamento ocorreu cerca de dois meses após Washington abrir a sua sede diplomática no país caribenho sob governo interino de Delcy Rodríguez.

“Neste momento, está sendo realizado um exercício de resposta militar dos Estados Unidos na Embaixada dos Estados Unidos em Caracas. Garantir a capacidade de resposta rápida do exército é um componente chave da preparação da missão, tanto aqui na Venezuela quanto em todo o mundo. Continuamos avançando no plano de três fases do presidente dos Estados Unidos para a Venezuela”, afirma a nota publicada pela embaixada em redes sociais.

Na quinta-feira (21/05), o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela já havia informado, por meio de comunicado, que a operação militar norte-americana seria realizada em território nacional, destacando que ela faz parte dos protocolos regulares de segurança diplomática, atendendo a “caso de emergências médicas ou emergências catastróficas”.

“A atividade será realizada em coordenação com as autoridades aeronáuticas venezuelanas correspondentes, responsáveis por autorizar e supervisionar os sobrevoos necessários para o referido exercício, bem como com outros órgãos e instituições nacionais envolvidos nos protocolos de atenção e segurança”, explicou a chancelaria. Da mesma forma, a atividade contou com o apoio técnico da Cruz Vermelha.

As duas aeronaves que sobrevoaram a capital venezuelana são do tipo Bell Boeing V-22 Osprey, veículos militares capazes de decolagem e pouso verticais. Os dispositivos pousaram nas instalações da sede diplomática dos Estados Unidos em Caracas.

O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom, na sigla em inglês) informou que o General Francis L. Donovan esteve acompanhando a atividade militar em Caracas neste sábado, participando também de discussões bilaterais com líderes de alto escalão do governo de Rodríguez e realizando reuniões com a equipe diplomática de Washington.

“O Gen. Donovan e um contingente de militares dos EUA foram transportados para Caracas por dois MV-22B Ospreys que faziam parte do exercício. Permanecemos comprometidos em garantir a implementação do plano de três fases do presidente dos Estados Unidos — particularmente a estabilização da Venezuela — e a importância da segurança compartilhada em todo o Hemisfério Ocidental”, comunicou na plataforma X. “Os Estados Unidos estão comprometidos com uma Venezuela livre, segura e próspera para o povo venezuelano, os Estados Unidos e o Hemisfério Ocidental”.

A última vez que aeronaves militares norte-americanos sobrevoaram a capital Caracas foi em 3 de janeiro, quando forças coordenadas pelo presidente Donald Trump invadiram o território da Venezuela, atacaram diversas cidades e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Ambos permanecem detidos em prisão de segurança máxima em Nova York.

Chavistas denunciam ‘interferência estrangeira’

Movimentos sociais e apoiadores do chavismo realizaram neste sábado (23/05), na Plaza Venezuela, um protesto contra os exercícios militares conduzidos pela embaixada dos Estados Unidos em Caracas. No centro da capital, manifestantes denunciaram Washington de “interferência estrangeira” no país.

Durante os protestos, os manifestantes entoaram frases como “Não ao exercício militar” enquanto exibiam bandeiras e faixas venezuelanas contra a presença norte-americana, de acordo com o jornal local La Verdad. Entre os participantes, estavam membros de movimentos sociais ligados ao Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV). Alguns também expressaram apoio a Cuba e ao ex-presidente boliviano Evo Morales, ameaçados pela política intervencionista de Donald Trump.

“Esse simulacro de ajuda mútua que eles querem para catástrofes na Venezuela é apenas uma amostra de sua manipulação, de sua interferência em um país livre e soberano”, afirmou a líder do Movimento dos Colonos, Mariela Machado, à agência EFE, reiterando que o chavismo se mantém resistente contra o intervencionismo os Estados Unidos.