Via Esquerda.net
A Human Rights Watch confirmou o uso desta substância química, cujo uso militar é proibido em zonas habitadas, no ataque de 3 de março a Yohmor, no Sul do Líbano.
A Human Rights Watch acusou nesta segunda-feira o exército israelense de ter disparado munições com fósforo branco no ataque de 3 de março à cidade de Yohmor, no Sul do Líbano, atingindo uma zona residencial.
A ONG diz ter verificado e geolocalizado sete imagens divulgadas nas redes sociais que mostram as bombas de fósforo branco caindosobre uma zona residencial da cidade e a resposta da proteção civil aos incêndios que se seguiram.
“O uso ilegal de fósforo branco pelo exército israelense em áreas residenciais é extremamente alarmante e terá consequências terríveis para os civis”, afirmou Ramzi Kaiss, investigador do Líbano na Human Rights Watch. “Os efeitos incendiários do fósforo branco podem causar a morte ou ferimentos cruéis que resultam em sofrimento para o resto da vida.”
O fósforo branco é uma substância química dispersa em projéteis de artilharia, bombas e foguetes que se inflama quando exposto ao oxigénio. Pode incendiar casas, áreas agrícolas e outros objetos civis. De acordo com o direito internacional humanitário, o uso de fósforo branco em explosões aéreas é ilegal em áreas povoadas e não cumpre a exigência legal de tomar todas as precauções possíveis para evitar danos a civis, acrescenta a ONG.
O uso de fósforo branco nos ataques israelenses no sul do Líbano já tinha sido denunciado pela Human Rights Watch entre outubro de 2023 e maio de 2024. A ONG diz que os militares israelenses têm munições alternativas com o mesmo efeito de diminuir a visibilidade das suas forças e que reduzem substancialmente os danos para a população civil. E por isso apela ao fim do seu uso e à suspensão das vendas de armas e assistência militar a Israel.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses desde o início de março já provocaram a morte de 217 pessoas no país e centenas de milhares de deslocados. Os militares israelenses emitiram ordens de evacuação para toda a população libanesa a sul do rio Litani e para todos os habitantes dos subúrbios do sul de Beirute, que são ao todo centenas de milhares.
“A natureza generalizada das ordens de deslocamento das forças armadas israelenses levanta preocupações de que o seu objetivo principal não seja proteger civis, mas sim espalhar terror e pânico, especialmente no contexto do recente deslocamento em grande escala de civis no Líbano, aumentando os riscos graves de crimes de guerra de deslocamento forçado, afirmou a Human Rights Watch..
