Via Esquerda.net
Centenas de milhares de pessoas manifestaram-se no último sábado em várias cidades espanholas após o chumbo das leis que impunham moratórias aos despejos e à compra de imóveis pelos “fundos abutre”.
A resposta ao chumbo dos partidos da direita na sexta-feira das propostas do Governo que procuravam evitar mais despejos como o de Maricarmen surgiu este sábado nas ruas de Espanha. As ruas do centro de Madrid encheram.se de gente - meio milhão segundo os organizadores, 70 mil segundo a delegação do Governo - a apelar à convocatória de uma greve geral pela habitação.
“Não vamos tolerar mais quatro anos sem resolver o maior problema deste país. A acampada continua e agora queremos recuperar um instrumento histórico da classe trabalhadora: a greve geral”, afirmou a porta-voz do Sindicato de Inquilinos, Valeria Racu, no início da manifestação em Madrid, uma das 54 cidades espanholas que saiu à rua este sábado.
As manifestações contaram com a presença de membros de inúmeros coletivos, partidos e sindicatos e foram muitos os apelos à confluência das lutas.
“O tempo dos deputados acabou, agora começa a verdadeira legislatura da habitação”,afirmou a porta-voz do sindicato que encabeçou a luta contra o despejo de Maricarmen e que anuncia agora que irá reduzir a sua presença na acampada da Porta do Sol para colocar o foco no trabalho nos bairros de mobilização para a próxima fase da luta.
Decorrem também contactos com as centrais sindicais para a eventual convocatória da greve geral, quando ainda está em aberto o cenário de Pedro Sánchez anunciar eleições antecipadas para novembro ou dezembro.
As manifestações decorreram de forma pacífica e a repressão policial só se fez sentir em Valencia, quando os manifestantes se aproximaram do Palácio das Artes, onde decorre a conferência “Real Estate Summit”. A manifestação rodeou o local e a polícia defendeu o que os manifestantes chamam de “feira de especuladores” e “circo de abutres” recorrendo a gás lacrimogéneo e balas de borracha.
