Nota da Redação
O Resultado final do primeiro turno das eleições peruanas, realizadas no dia 12 de abril, vive ainda um compasso de espera. O resultado pode ser proclamado apenas em maio.
A apuração dos votos, tanto para Presidente da República, disputaram 35 candidatos (um número recorde); para o Senado (60 vagas); para a Câmara dos Deputados (130 vagas); e para o Parlamento Andino (5 vagas) estacionou em 93,5% dos votos válidos.
Segundo a justiça eleitoral do país andino, esta paralisia se explica principalmente porque cerca de 15 mil cédulas estão sendo contestadas, 30% delas referentes às eleições presidenciais, e o restante referente às demais eleições que foram disputadas.
Na última sexta-feira, dia 17.4, o Ministério Público peruano realizou uma diligência no depósito da justiça eleitoral, onde estão guardadas as atas, urnas e cédulas que estão sobre questão. Ainda existem cerca de 1 milhão de votos a serem apurados.
Até o momento, Keiko Fujimori lidera a apuração com 17,1 % dos votos, e está confirmada no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 7 de junho. Ela é filha do ditador Alberto Fujimori e uma conhecida política de direita radical, que tenta pela quarta vez chegar a presidência do Peru, perdendo outras três vezes a disputa no segundo turno.
Mas, a disputa mais acirrada está pela segunda vaga no segundo turno. O candidato de esquerda, Roberto Sánchez, ocupa, neste momento, a segunda posição, com 12% dos votos apurados. Ele é apoiado pelo ex-presidente Pedro Castillo, que sofreu um golpe desferido pela maioria reacionária e corrupta do parlamento peruano, e segue desde então como um preso político. O Juntos pelo Peru, partido de Sánchez, venceu a eleição presidencial em 10 Distritos peruanos (superando até Keiko em número de distritos), e conquistou também, até o momento, a segunda maior bancada no Senado e na Câmara, atrás apenas do partido de Keiko.
Logo atrás de Sánchez aparece o ex-prefeito de Lima, López Aliaga, um político de extrema direita, muito próximo de Trump. Nesta altura, a diferença entre os dois é de cerca de 13 mil votos, embora ele só tenha chegado em primeiro lugar em Lima. Aliaga vem convocando mobilizações golpistas, que visam anular toda a eleição e impedir a presença da esquerda no segundo turno das eleições presidenciais peruanas. Devido a amplíssima rejeição de Keiko na maioria da população, a presença de Sánchez no segundo turno pode abrir a possibilidade de um novo governo de esquerda no Peru, assim como vimos com a vitória de Pedro Castillos na última eleição.
Ao nível internacional, especialmente na América Latina, os movimentos sociais e a esquerda devem estar atentos e solidários com a candidatura de Roberto Sánchez, exigindo o respeito ao voto popular e a derrota do golpe encabeçado pelo trumpista Aliaga.
Com informações:
MP do Peru intervém em depósito de atas da eleição presidencial – CartaCapital
Com 15.000 contestações, eleições no Peru devem ter resultado só em maio - Jornal El Comercio, do Peru.
