Via Esquerda.net
A aposta do partido de Jean-Luc Mélenchon em candidatos jovens nos bairros populares permitiu-lhe alcançar vitórias em vários municípios pela primeira vez. A LFI estará presente em mais de 400 conselhos municipais. Extrema-direita falha objetivo de conquistar uma grande cidade.
Depois de no primeiro turno ter vencido no município de Saint-Denis (150 mil habitantes), este domingo as listas apresentadas pela França Insubmissa foram as mais votadas em Roubaix (nos arredores de Lille, com 100 mil habitantes), Tampon (a quarta maior cidade da ilha da Reunião com 82 mil habitantes e bastião da direita desde 1945) e La Courneuve (o município mais pobre da França, nos arredores de Paris, com 47 mil habitantes). Nos arredores de Lyon, a LFI venceu em Vaulx-en-Velin (53 mil habitantes), Vénissieux (66 mil habitantes) e Saint-Fons (20 mil habitantes). Irá governar também em Creil (no Oise, a norte de Paris, com 36 mil habitantes) e apoiou uma lista cidadã vencedora em Sarcelles (nos arredores de Paria, com 59 mil habitantes). Apesar de não conseguir conquistar nenhuma das grandes cidades, obteve bons resultados em Toulouse (47%) e Lille (33,7%)
“Esta noite, a França Insubmissa confirma e amplia o avanço do primeiro turno”, afirmou o coordenador nacional do partido, sublinhando também que a união de listas com a LFI permitiu vitórias em Lyon, Nantes, Grenoble ou Tours. Manuel Bompard responsabilizou ecologistas e socialistas por terem recusado fundir as listas com a LFI em Bordéus e Cherbourg, acabando por sair derrotados. E teve palavras mais duras em relação aos “discursos de divisão” dos dirigentes socialistas em Toulouse, Besançon, Clermont-Ferrand ou Limoges, acusando-os de terem impedido ganhar esses municípios para a esquerda, ou ao Place Publique que manteve a sua lista em Angoulême, impedindo a vitória da lista da esquerda insubmissa e comunista e a derrota da direita.
“A lição é clara: a França Insubmissa permite vitórias populares e faz avançar a esquerda, enquanto os divisores do PS e da Place Publique a fazem recuar”, conclui Bompard, no final de uma noite eleitoral em que os insubmissos conquistaram a entrada em mais de 400 conselhos municipais.
No rescaldo eleitoral, a lição tirada por dirigentes socialistas como Jérôme Guedj foi bem diferente: “Era preciso manter os princípios. A esquerda que se une à LFI não ganha”. Em abono da sua tese, a vitória do candidato em Paris contra a ex-ministra da direita Rachida Dati, numa eleição triangular em que participou a candidata insubmissa, ou a reeleição do autarca socialista em Marselha, que recusou unir listas com os insubmissos, embora o candidato da LFI se tenha retirado do segundo turno para permitir a derrota da extrema-direita.
A União Nacional de Le Pen e Bardella acabou assim por ser derrotada nas grandes cidades francesas, perdendo também a reeleição em Toulon, registrando avanços em municípios menores. A direita dos Republicanos voltou a celebrar o fato de ser o partido com mais autarcas, embora muito assente em pequenas localidades e mantendo o ritmo de perda de eleição para eleição. Os partidos da área macronista também perderam terreno, tal como os socialistas numa eleição que voltou a ter taxas de participação historicamente baixas. Para os ecologistas, a reeleição em Lyon não apagou as perdas em Estrasburgo, Bordéus, Besançon ou Poitiers.
No próximo ano os franceses serão chamados às urnas para as eleições presidenciais, mas antes disso, já em setembro, os autarcas agora eleitos irão votar para substituir metade dos senadores franceses. Os mais de mil autarcas eleitos pela LFI deverão contribuir para a estreia do partido no Senado..
