Imagem: Reprodução Brasil de Fato
Em 2005 diante da ofensiva imperialista do governo Bush, Fidel pronunciou um discurso onde mostrou que mesmo diante do bloqueio e dos novos ataques estadunidenses, Cuba continuava crescendo economicamente. O motivo, a relação de solidariedade internacional e a parceria da Revolução Cubana com a Revolução Bolivariana.
A relação entre Cuba e Venezuela foi fundamental na primeira década do século XXI, e Fidel deixou claro que o império iria tentar condenar Chávez e os venezuelanos da mesma forma que foi condenado por estes inimigos dos povos de todo mundo. Nas palavras do líder cubano, a história iria lhes absolver.
O Radar Internacional selecionou trechos do discurso de Fidel para leitura. Acompanhe abaixo:
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Discurso pronunciado no 52º aniversário dos ataques aos quartéis Moncada no Teatro Karl Marx
Fidel Castro Ruz; 26 de julho de 2005
Combatentes de ontem e de hoje:
Distintos convidados;
Compatriotas entranháveis:
Agradeço a nosso povo heróico e generoso o privilégio de comemorar este aniversário do ataque ao Moncada e ao Quartel Carlos Manuel de Céspedes, após ter decorrido tanto tempo daqueles fatos.
Seria imperdoável não ter presente que mais de 70 por cento dos cubanos que hoje sustentam a Revolução nem sequer tinham nascido então. Eles pegaram as bandeiras dos que deram a vida naquela ação, e acho que nunca a deixarão cair. Atrevo-me a agradecer em meu nome e no deles todos, porque levo na minha consciência o peso enorme de tê-los persuadido a fazer tão atrevida ação, sem que o azar me tenha impedido de percorrer tão longo trecho de luta revolucionária até este instante empolgante, 52 anos depois.
A Revolução vive hoje um momento digno daquela data memorável.
Os meses que precederam ao 52º aniversário do início daquela luta armada em prol da definitiva independência de Cuba, caracterizaram-se por uma agressividade especial por parte da administração Bush contra Cuba. A extrema direita fascista que se apoderou da direção do império não tem cessado de ruminar seu ódio impotente contra nossa Pátria.
Lembremos aquele 20 de maio de 2002 quando, com inaudita insolência, Bush exigiu de Cuba uma nova Constituição na qual devia renunciar ao caráter socialista da Revolução.
A resposta de Cuba à exigência imperial foram as enormes manifestações na Ilha toda, apoiando um projeto de modificação constitucional, aprovado finalmente pelo voto unânime da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento), em 26 de junho de 2002, determinando que o caráter socialista e o sistema político e social contidos na Constituição eram irrevogáveis.
Já tinha sido cometido o atroz atentado terrorista contra o World Trade Center de Nova York, em 11 de setembro de 2001.
Sob pressão constante daquela máfia, que lhe tinha propiciado galgar a presidência, mediante escandalosa fraude, o senhor W. Bush e sua camarilha começaram logo a adotar medidas cruéis e prenhes de ódio, ao longo de mais de quatro anos, com o objetivo de desestabilizar, golpear e tentar apagar da superfície da Terra a independência de Cuba e o direito de um povo de ter um sistema político e econômico verdadeiramente humano e justo.
Resoluções grotescas foram aplicadas para acirrar o bloqueio e asfixiar a economia do país. Centenas de milhares de cubanos residentes nos Estados Unidos foram proibidos de visitar seus familiares em Cuba, sendo só autorizados a fazê-lo a cada três anos. A ajuda familiar foi reduzida quase a zero. Descumpriram-se acordos acerca da emigração ilegal. Rejeitaram-se propostas de cooperação em temas vitais como a luta contra o tráfico de drogas e de pessoas e para travar e impedir ações terroristas.
Cuba foi qualificada de terrorista. Inventaram mentiras descabeladas acerca da fabricação de armas biológicas, planos de guerra eletrônica com o propósito de interferir nas comunicações do governo dos Estados Unidos e outras da mesma espécie, com o objetivo de procurar justificativas para uma agressão assassina contra o nosso povo, tal qual fizeram depois no Iraque.
É sobejamente conhecido que a camarilha de Bush criou um amplo comitê para planejar em detalhes a chamada “transição” em Cuba, que elaborou um projeto macabro para, entre outras coisas, aplicar planos de vacinação e campanhas de alfabetização, quando todo o mundo sabe que os programas de saúde e educação em Cuba ultrapassam amplamente os dos Estados Unidos e, inclusive, os de qualquer outro país do mundo.
Não posso deixar de me referir a estes fatos que constituem apenas uma pequena parte do conjunto de agressões dos governos dos Estados Unidos contra Cuba, entre os quais a administração Bush encarna o ódio mais nojento e sinistro contra um povo digno e heróico que não se curva nem pode ser intimidado pelas ameaças e as agressões do império poderoso.
Uma das medidas mais cínicas de Bush foi utilizar a base naval de Guantánamo, que os EUA ocupam de forma ilegal contra a vontade de nosso povo, para criarem lá um campo de concentração onde encerram pessoas que seqüestram em qualquer canto do mundo sem processo nem trâmite legal algum. O cúmulo, a referida prisão foi convertida em um centro experimental de torturas, como as aplicadas posteriormente na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.
O acordo entre a República Bolivariana da Venezuela e a República de Cuba, assinado sob os princípios da ALBA, constituiu um passo considerável no caminho da unidade e da verdadeira integração entre os povos da América Latina e do Caribe. O da Petrocaribe é mais um passo extraordinário e um verdadeiro exemplo de irmandade e solidariedade entre os povos.
A troca comercial entre a Venezuela e Cuba atingirá, neste mesmo ano, não menos de US$ 3 bilhões. Ambos os países serão, sem dúvida, os de maior crescimento econômico neste hemisfério, em 2005.
Por estes esforços nobres, construtivos e pacíficos o governo imperialista acusa a Venezuela e Cuba, Chávez e Castro, de desestabilizarem e subverterem os países da região.
Perante tais imputações à Venezuela e Cuba, se o presidente Chávez estiver de acordo, um dia como hoje seria a ocasião propícia para responder:
Condenem-nos, não importa, a história nos absolverá!
