Por Gabriel Santos
Toda vez que os Estados Unidos "salvam" um povo, o deixam transformado num manicômio ou num cemitério - Eduardo Galeano
A extrema direita brasileira foi às redes sociais comemorar o bombardeio de Trump a Venezuela e o sequestro do presidente Maduro. Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro, Zucco, entre tantos outros foram às redes sociais soltar fogos com o fato de um país vizinho ser atacado por uma potência estrangeira.
Em nome de sua ideologia, eles colocam a paixão que sentem pelos interesses dos Estados Unidos acima da lei internacional, da vida de civis venezuelanos, e da soberania da América Latina
A extrema direita brasileira defende que qualquer país que não se curve para os interesses estadunidenses pode ser bombardeado. Seja no Oriente Médio, na Ásia, na América Latina, ou até mesmo, no próprio país. Comentários como, Lula será o próximo mostra como eles não têm nenhum respeito pela integridade nacional.
A mídia brasileira se acovarda. Não chama as coisas como realmente são. Atuam como porta voz dos interesses de Washington. O uso de palavras é interessante, Nicolás Maduro foi sequestrado pelo exército de um país estrangeiro, a mídia utiliza a linguagem do imperialismo, tenta naturalizar o absurdo, e afirma que Maduro foi capturado, algo muito mais sutil e que coloca o Presidente venezuelano no campo de criminosos, como se ele estivesse em fuga. Imaginemos que Putin resolvesse invadir a França e “capturar” Macron, a reação seria a mesma?
Os Estados Unidos não são os donos do mundo. Não existe nenhuma lei divina ou força sobrenatural que diz que eles podem invadir, bombardear, derrubar governos e impor sua vontade por meio da força e da violência
O ataque à Venezuela deixou toda a América Latina mais insegura. A força bruta não pode se sobrepor às leis internacionais, ao multilateralismo e à soberania. Relembra os piores momentos de nosso continente, onde no século XX os EUA financiaram dezenas de golpes militares para garantir seus interesses econômicos.
Nada de bom pra região virá do caos gerado no país vizinho. Podemos ter crise política, mortes, sangue derramado e uma crise humanitária.
Bombardeios não trazem democracia, bombardeios trazem mortes e caos. Trump não se preocupa com a democracia, ele não respeita a do próprio país, apoia o genocídio cometido em Gaza, e tem relações com diversas ditadores ao longo do planeta. Seus interesses e motivos são outros.
Os Estados Unidos nunca aceitou a nacionalização dos hidrocarbonetos, a reforma agrária, e as medidas populares feitas pela Revolução Bolivariana. Tentaram derrubar Hugo Chávez, apoiaram e financiaram grupos militares e opositores, fabricaram fake news, geraram centenas de sanções econômicas para desestabilizar a economia venezuelana e muito mais.
Os interesses de Trump é colocar um governo fantoche, submisso às vontades e interesses geopolíticos dos Estados Unidos. Dando um recado claro para todos aqueles que ousarem desafiar suas vontades.
Diferente da extrema direita, que lambe botas dos interesses estadunidenses, e tem sede de ver sangue derramado, nós acreditamos que cada povo deve construir seus destinos.
A agressão de Trump é uma violação do direito internacional e deve ser repudiada.A América Latina e o Caribe devem permanecer como uma zona de paz. A política externa é a democracia brasileira defende a solução pacífica, a não intervenção e o respeito à soberania como pilares da convivência internacional.
A esquerda brasileira deve cerrar fileiras em solidariedade ao povo venezuelano, contra qualquer tipo de interferência estrangeira na Venezuela e fazer um apelo pela paz na região.
Pátria Livre, venceremos!!
Gabriel Santos é nascido no nordeste brasileiro. Alagoano, mora em Porto Alegre. Militante do movimento negro e popular. Vascaíno e filho de Oxóssi.
