António José Seguro eleito Presidente, Bloco quer vê-lo travar o pacote laboral

Com mais de dois terços dos votos, Seguro bateu Ventura, que não conseguiu somar muitos votos em relação ao primeiro turno. José Manuel Pureza diz que “não basta derrotar a extrema-direita para responder à maioria do povo”.

António José Seguro é o próximo Presidente da República. O segundo turno das eleições presidenciais deu-lhe uma vitória robusta frente a André Ventura, com o resultado provisório indicando que mais de dois terços dos eleitores (66,82%) votaram no antigo líder do PS, apoiado neste segundo turno pelos partidos da esquerda. Seguro tornou-se o Presidente eleito com mais votos em democracia, ultrapassando o número de votos que Mário Soares obteve na sua reeleição em 1991.

Com 33,18% dos votos, esta eleição marca a derrota do líder da extrema-direita, que fez campanha a chamar para si o papel de representante do espaço “não socialista” e beneficiou da ausência de indicação de voto por parte do PSD e da IL. Apesar disso, foi incapaz de alargar significativamente os votos em relação ao que tinha obtido na primeira volta e não conseguiu ultrapassar o número de votos da AD nas legislativas, enquanto Seguro praticamente duplicou a sua votação de 18 de janeiro, vencendo em todos os distritos do país. Cerca de 37 mil eleitores de freguesias afetadas pelas tempestades serão chamados a votar no próximo domingo, pelo que os resultados finais serão proclamados só após essa data.

Na reação ao resultado eleitoral, o coordenador do Bloco de Esquerda felicitou António José Seguro e afirmou que “cumprimos o nosso dever de contribuir para derrotar o candidato da extrema-direita e fizemo-lo sem qualquer hesitação”.

José Manuel Pureza acrescentou que nesta noite eleitoral é preciso “deixar uma coisa muito clara: não basta derrotar a extrema-direita para responder à maioria do povo. É preciso ter coragem e isso começa por travar o pacote laboral”.

Para o coordenador bloquista, “é isso que o Presidente da República deve fazer se o Governo decidir impor o pacote laboral contra a vontade da maioria do país que trabalha”.

Também a candidata presidencial apoiada pelo Bloco felicitou Seguro pela vitória, desejando-lhe “um ótimo mandato”. Catarina Martins diz que o resultado é “uma boa notícia”, pois “Portugal foi votar, apesar de todas as dificuldades” e “derrotou de forma expressiva a política da mentira e do ódio”, bem como “quem quis desmobilizar o voto”..