Israel anuncia novos planos de assentamentos ilegais em Gaza e na Cisjordânia

Por Tatiana Carlotti

Autoridade militar diz que Exército passou a controlar 65% da Faixa, classificando como 'vitória' percentual que viola cessar fogo; ataques continuam na região.

Os ministros israelenses Israel Katz (Defesa) e Bezalel Smotrich (Finanças) anunciaram novos assentamentos ilegais na Faixa de Gaza e um amplo pacote de investimentos voltado à ocupação da Cisjordânia. As Forças de Defesa de Israel também declararam deter controle de cerca de 65% do território de Gaza, percentual superior ao previsto no acordo de cessar-fogo, mediado por Washington, no ano passado.

Analistas e organizações israelenses, ouvidas pelo jornal britânico The Guardian, afirmam que o objetivo das declarações é criar “fatos consumados”, antes de uma eventual mudança no cenário político do país, diante das eleições parlamentares, programadas para outubro deste ano.

Ao Canal 14, Katz anunciou que pretende “estabelecer três postos avançados do Nahal, que também é uma entidade militar, em locais que eram [os assentamentos israelenses] no norte de Gaza”. Dror Etkes, fundador da organização Kerem Navot, explicou ao The Guardian que postos avançados deste tipo, de uso militar, funcionam como uma etapa preliminar da ocupação permanente. “Ao todo, dezenas de assentamentos israelenses na Cisjordânia foram estabelecidos dessa maneira”, declarou.

Segundo o vice-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, major-general Tamir Yadai, as forças israelenses passaram a controlar 65% da Faixa de Gaza. O percentual é superior aos 53% previstos no acordo de cessar-fogo firmado em outubro. “Não sei como descrever isso, a não ser como vitória, quando você controla 65% do território, quando você matou mais de 70.000 terroristas aqui”, declarou.

Yadai classificou como “terroristas” quase a totalidade dos mortos pelas forças israelenses ao longo de dois anos de guerra. Entre as mais de 73 mil vítimas do genocídio israelense, a imensa maioria é de civis, incluindo, mais de 21 mil crianças, mais de 10 mil mulheres com menos de 60 anos e cerca de 5 mil idosos.

Apesar do cessar-fogo, as agressões não cessaram desde então. Apenas entre esta sexta-feira e sábado, foram 14 mortes, incluindo oito registradas durante um bombardeio israelense contra um cortejo fúnebre, no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza.


Cisjordânia ocupada

Já o ministro Smotrich, responsável pelas Finanças israelenses, anunciou a liberação de 1,3 bilhão de shekels (cerca de US$ 400 milhões ou R$ 2 bilhões) para a expansão de dezenas de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. Os recursos, destaca a mídia israelense, foram aprovados no mês passado, mas a decisão foi mantida em sigilo frente à possibilidade de reação dos Estados Unidos.

Em paralelo, o comandante das forças israelenses na Cisjordânia, major-general Avi Bluth, incentivou a ação dos colonos extremistas que ocupam o território palestino, afirmando que “aprecia o trabalho deles” e os considerando parceiros das forças militares.

Em relatório que detalha como os colonos vêm liderando a anexação de terras palestinas, o Escritório de Direitos Humanos da ONU para os Territórios Palestinos, afirmou que “a violência dos colonos é violência de Estado”, frisando que a impunidade sistemática permite a expansão contínua e sem controle dessa violência.

Segundo Hagit Ofran, da organização israelense Paz Agora, a expansão da colonização ganhou um ritmo acelerado frente às eleições. Ao The Guardian, ele relatou que sete novos assentamentos, pelo menos, deverão receber moradores antes da votação de outubro. “O governo está numa corrida pré-eleitoral imprudente para saquear os cofres públicos a fim de criar fatos consumados”, declarou.

Neste sábado (18/07), informou a agência Wafa, soldados invadiram a casa de famílias palestinas na província de Hebron. Dez pessoas foram presas, incluindo um idoso, Ibrahim Ismail Al-Jabour, e seu filho. Eles foram detidos após confrontarem, justamente, colonos ilegais que soltaram o gado da família, em Khirbet Hawara. Novos postos de controle militar foram instalados nas estradas principais e secundárias que se encontram fechadas na região.

Já na vila de Husan, a oeste de Belém, forças israelenses impediram que fiéis realizassem a oração da madrugada. A mesquita local foi invadida pelos soldados, que forçaram as pessoas a saírem usando granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Entradas que dão acesso às aldeias de al-Arqoub, a sudoeste de Belém, também foram fechadas.