Mamdani estuda como prender Netanyahu em caso de visita a Nova York: ‘pertence a Haia’

Por Tatiana Carlotti

Em entrevista ao NYT, prefeito novaiorquino diz ser difícil encontrar abordagem política ‘mais falida’ do que a dos EUA em relação à Palestina.

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou ao The New York Times que está estudando a possibilidade de prender o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, caso ele participe da Assembleia Geral das Nações Unidas, prevista para setembro na cidade.

“O primeiro-ministro Netanyahu pertence a Haia. Ele é um criminoso de guerra que foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI)”, afirmou, acrescentando que sua opinião é “compartilhada por muitos por causa das consequências de suas ações ao longo dos últimos anos”.

Segundo Mamdani, filho de imigrantes e muçulmano, ainda não está claro se, como prefeito, ele detém autoridade para determinar ao Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) o cumprimento de uma eventual ordem de prisão contra o premiê israelense. “Faremos tudo o que a lei me permitir fazer na cidade de Nova York”, declarou, mas ponderou: “não criaremos nossas próprias leis para este fim”.

Em longa entrevista ao jornal nova-iorquino, publicada neste sábado (18/07), o prefeito comentou o fortalecimento da ala socialista no Partido Democrata, após a vitória dos candidatos do Socialistas Democráticos da América (DSA), apoiados por ele nas eleições primárias da legenda, em meados de junho.

‘Democrata e socialista’

Reafirmando sua dupla identidade política — “eu sou os dois: democrata e socialista democrático” —, Mamdani disse que o Partido Democrata precisa apresentar um projeto próprio para a classe trabalhadora, em vez de se limitar à oposição ao governo republicano.

“A única resposta que temos é a de que não somos o Partido Republicano”, afirmou, ao salientar a necessidade da legenda mostrar um horizonte pós-Trump aos trabalhadores norte-americanos. Segundo Mamdani, governar Nova York representa “uma chance de mostrar que você pode lutar pelas pessoas que a direita deixou para trás”.

O prefeito também criticou duramente a política externa dos Estados Unidos, sobretudo em relação à guerra na Faixa de Gaza. “A necessidade de clareza moral em nossa política, para citar a deputada Ocasio-Cortez, é algo que também se aplica à nossa política externa quando se trata do financiamento das Forças Armadas israelenses”, salientou.

“É difícil explicar a um nova-iorquino por que suas necessidades nem sequer estão sendo discutidas, e ainda assim temos bilhões de dólares para matar civis do outro lado do mundo”, acrescentou.

Segundo ele, a guerra em Gaza expôs uma profunda crise de credibilidade da política norte-americana. “É difícil encontrar uma abordagem política mais falida do que a que nosso país adotou em relação a Gaza e à Palestina”, afirmou.

Ele salientou que, em conversas privadas, muitos congressistas classificam as ações em Gaza como genocídio, embora não o façam publicamente. “Enquanto houver uma compreensão da diferença entre o que as pessoas acreditam e o que estão dispostas a dizer, haverá ceticismo e, francamente, desespero entre os que consideram se devem ou não se envolver na política”, complementou.

Partido dos ‘direitos humanos’

Questionado sobre a possibilidade da ex-candidata democrata Kamala Harris recuperar a confiança do eleitorado pró-palestino, Mamdani considera que qualquer postulante democrata precisará rever a política dos Estados Unidos para a região. “O primeiro passo para quem quer concorrer é ser honesto sobre o que vemos hoje e o que seria necessário para mudar isso”, salientou.

“Uma das características comuns entre todas as pessoas que apoiei para o Congresso foi que cada uma delas disse como assinaria a legislação ‘Bloquear as Bombas’. Isso fala sobre a falta de vontade de continuar sendo cúmplice de um genocídio”, acrescentou.

Mamdani também defendeu que o Partido Democrata se torne “o partido dos direitos humanos para todas as pessoas, e isso também deve incluir os palestinos. Acho que as pessoas estão cansadas de exceções serem desenhadas”.