Israel lança ataques aéreos contra Sanaa, capital do Iêmen; Houthis prometem retaliação

Nasruddin Amer, dirigente político do grupo, afirmou que 'operações não cessarão até que o cerco a Gaza seja interrompido'.

Aviões de guerra israelenses bombardearam neste domingo (24/08) diversos locais em Sanaa, capital do Iêmen, incluindo um posto de combustível na Rua al-Sitteen e instalações da usina elétrica de Haiz, ao sul da cidade, além de áreas próximas ao palácio presidencial.

De acordo com a Al Masirah TV, pelo menos duas pessoas foram mortas e cinco se encontram feridas. O exército israelense declarou que os alvos eram parte da “infraestrutura militar” dos Houthis, grupo de resistência que controla parte do território do Iêmen e mantém operações contra Israel em defesa da população palestina.

As ofensivas, segundo Tel Aviv, tiveram como objetivo um local dentro do palácio presidencial e as usinas de energia de Asar e Hizaz. Em comunicado no Telegram, as forças israelenses afirmaram que a ofensiva foi uma resposta aos “repetidos ataques do regime terrorista Houthi contra Israel e seus civis, incluindo o lançamento de mísseis terra-terra e drones em direção ao território israelense nos últimos dias”.

O Governo de Mudança e Reconstrução, controlado pelos Houthis em Sanaa, chamou o ataque israelense de “crime de guerra” que visa ferir os iemenitas e criar uma “vitória falsa”. “A agressão prova que o inimigo israelense, com apoio americano, está travando uma guerra aberta contra a nação árabe e muçulmana”, disse em um comunicado.

‘Barbárie’

Abed al-Thawr, funcionário do Ministério da Defesa Houthi, afirmou à Al Jazeera que as alegações de Israel de que atacou alvos militares neste domingo são “mentirosas”. E que Tel Aviv bombardeou infraestrutura civil para fazer os iemenitas sofrerem. Ele também relatou que o palácio presidencial está deserto há muito tempo, “então, o que Israel está fazendo é barbárie”.

Segundo a mídia israelense, durante o ataque, foram usadas mais de 30 munições. A ofensiva ocorre dois dias após os Houthis terem lançado um míssil balístico e dois drones contra Tel Aviv e Ashkelon, em Israel.

O dirigente político Houthi Nasruddin Amer também se manifestou. Em publicação no X, ele reiterou que as operações do grupo contra Israel “não cessarão até que o cerco a Gaza seja interrompido”.

“Atacar um posto de combustível civil em uma rua principal certamente não terá impacto nas operações militares; em vez disso, revelará a brutalidade e a falência do inimigo israelense e provocará uma escalada ainda maior”, afirmou.

A Al Jazeera conversou com o diretor assistente de orientação do movimento Houthi que afirmou que os ataques israelenses atingiram áreas densamente povoadas e instalações sem uso militar. “Atacar áreas residenciais constitui crime de guerra”, afirmou.

Ele declarou que os Houthis vão intensificar as operações e que o grupo dispõe de “opções militares adicionais” ainda não empregadas. Alertou ainda que, caso seja confirmado envolvimento direto dos Estados Unidos nas ofensivas, os Houthis passarão a mirar interesses norte-americanos na região.