Nota da Redação
No último dia 18 de fevereiro, o Congresso Nacional do Peru escolheu, indiretamente, o oitavo presidente do país em apenas uma década. Alguns dias antes, o já presidente interino, José Jeri, tinha sido destituído, acusado de envolvimento em casos de corrupção.
Jeri também tinha sido nomeado pelo Congresso, e ficou no cargo por apenas 4 meses. Diante de mais esta vacância na cadeira de presidente, o Congresso Nacional se reuniu e nomeou um novo presidente.
O escolhido da vez foi José Maria Balcázar, um político já tradicional, de 83 anos, que tem a difícil missão de ficar no cargo até que o povo peruano escolha um novo nome para a Presidência, por voto direto, nas eleições de 12 de abril deste ano.
Balcázar é ligado ao Peru Libre, considerado um partido de esquerda. Este partido é o mesmo do ex-presidente Pedro Castillos, destituído pelo mesmo Congresso, em dezembro de 2022, e que desde então segue na prisão, como um verdadeiro preso político.
A origem de esquerda de Balcázar não representa nenhuma garantia de mudanças efetivas, afinal são os setores ultra reacionários e corruptos que seguem mandando no Congresso Nacional, instituição que vem governando de fato, pelo mesmo desde a deposição de Pedro Castillos. Balcázar num representou uma ameaça real aos poderes desta maioria do Congresso, até por isso pôde ser eleito por ela.
A eleição de Balcázar foi recebida com certa surpresa. Afinal, era esperada a eleição da direitista María del Carmen Alva, que já presidiu a Câmara dos Deputados. Ela era apoiada tanto por Rafael Aliaga, ex-prefeito de Lima, e por Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori.
Aliaga e Keiko, dois políticos conhecidos por posições de extrema direita, muito próximas a Donald Trump, lideram a maioria das pesquisas eleitorais.
E, tudo indica que a instabilidade política deve continuar. Afinal, um dia depois de eleito, Balcázar já foi intimado a depor num caso de apropriação indébita, quando atuava como advogado em casos ocorridos entre os anos de 2019 e 2022. Ou seja, nada garante que ele sequer cumpra seu breve mandato interino.
Outro fator de instabilidade política é o fato de que existem 36 candidatos diferentes inscritos para a disputa da presidência do país, um número recorde que revela uma enorme pulverização política.
As pesquisas eleitorais indicam que nenhum candidato chega a dois dígitos de intenções de votos, tornando difícil ter uma análise precisa sobre os favoritos para as eleições de 12 de abril. De certo apenas que as eleições não devem ser definidas em primeira volta, e duas candidaturas devem disputar um segundo turno, indicado para 7 de junho deste ano.
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